Eu ainda me lembro quando a colocaram nos meus braços. Tão frágil, tão pequena. A envolvi num terno abraço e ofereci todo o meu carinho de mãe... eu sabia que aquele momento estava condenado a nunca mais acontecer. Meu bebê era uma menina.
Vivemos em um país no qual os casais só podem ter um filho. Meu marido sonhava com um menino, para manter a tradição do nome e da honra da família. Mas veio uma menina... não podemos tentar novamente.
Ele chegou. Correu para o quarto. O meu olhar já revelava que não era o que ele esperava. Sua decepção foi aterradora. Eu me lembrei da família dele me dizendo que eu tinha a obrigação de lhe dar um menino porque era um sonho dele...
Ele correu até mim e a me tirou dos braços. Meu instinto de mãe falou mais alto e o ataquei. Os irmãos dele me seguraram, exclamando que era o melhor a ser feito. Eu tinha que tentar novamente. Estava em jogo a honra e o nome da família.
Eu não sei onde minha filha foi parar. Chorei por dias, sentia ódio do meu marido e demorei muito para perdoa-lo. Mas cresci aprendendo que honra é o bem mais importante. Aceitei.
Mas às vezes eu sonho com ela, jogada em uma sarjeta... coberta por seu próprio sangue. Esquecida. Invisível.
Meu nome é Joana. Poderia ter sido Maria, mas já tinha muitas. Tenho 29 anos e três filhos para criar sozinha. O pai sumiu, vai saber por onde anda. Moro na Ilha das Flores. O nome é bonito, mas não se engane. Aqui não é o paraíso.
Eu não sei ler nem escrever. Mas já não me preocupo muito comigo. Penso mais no futuro dos meus filhos. Às vezes acho que Deus nos esqueceu. Mas depois a fé de dias melhores volta em meu coração. Tenho uma terrinha e um barraco. Já agradeço por isso.
Temos que garantir nossa comida. Sim, porque têm outras pessoas como nós disputando todos os dias. Onde vamos pode-se chamar de feira. Mas não é aquela feira bonita cheia de frutas e verduras frescas e coloridas. Ah, se um dia eu pudesse ir numa feira dessas... mas é só um sonho.
A feira que vamos fica numa fazenda. Temos que correr para pegar melhor lugar na fila. Muitas outras pessoas como eu disputam essa “feira”. Você quer conhecer? Então me acompanhe.
Meus filhos vão junto para me ajudar. Toda vez que chegamos lá ficamos ansiosos esperando o portãozinho abrir. Os caminhões que trazem a comida vêm de muitos lugares. Eu ouvi uma vez que são chamados de "colhetores de lixo orgânico".
Chegamos. É uma parte da fazenda. Hoje somos os primeiros! Olhe, o caminhão de comida chegou. Já podemos sentir o cheiro. Não, não é o aroma agradável de frutas frescas. Pode acreditar, você está sentindo cheiro de comida podre. Olha lá, o caminhão descarregando tudo. Não é nossa vez ainda. Primeiro são os porcos. Temos que esperar os bichos se empanturrarem e só depois os empregados do fazendeiro abrem o portãozinho pra gente.
Pronto, agora é nossa vez. Cada família tem 5 minutos para pegarem os restos. Vamos, crianças, somos nós agora. Em meio à lavagem procuramos algo que ainda pode ser comido.
Ah, já nos acostumamos com a podridão. Afinal, isso é o que nos resta para sobrevivermos...
Se tenho um grande sonho? Sim, claro! Quero que meus filhos tenham a oportunidade de terem uma vida digna e feliz, para que não ofereçam restos de porcos para os meus futuros netos.
* Em Porto Alegre, encontra-se Ilha das Flores, onde pessoas como você alimentam-se da lavagem dos porcos em decomposição, enquanto você reclama da mistura que sua mãe fez para o almoço...
Acordou cedo e foi direto para a cozinha tomar café da manhã. Mas o desânimo veio quando viu na pia aquela louça do tamanho do mundo. Odeia fazer faxina e principalmente, lavar a louça.
Mas algo diferente aconteceu. Vontade, sim, vontade e paciência de lavar aquela louça toda e poder ver a pia limpinha.
Atitude... foi a única vez que não adiou a tarefa para mais tarde.
Enquanto esfregava os pratos se lembrou de uma música que está tocando nas rádios. Open your eyes, do Snow Patrol. Ela adora essa música.
“Deus poderia me presentear com essa música”, ela pensou.
Terminada e guardada a louça, admirou aquela pia limpa e vazia. Que satisfação!
Ela adora tomar o café da manhã ouvindo música, aliás, ela adora fazer qualquer coisa ouvindo música. Então ligou o aparelho de som e sintonizou em uma das rádios preferidas.
Surpresa.
Open your eyes começara a tocar no mesmo momento que apertara o botão.
Depois de se deliciar com a música e o suco de pêssego com torradas um pensamento veio a sua cabeça. A música não tocara por coincidência. Era o presente que pedira à Deus.
Mas não foi só um pedido realizado.
Deus lhe mostrou que se cultivar a ATITUDE e a boa vontade, ela poderá conquistar muitas coisas. Não só a admiração dos outros – como da sua mãe que ficou super feliz em ver a cozinha arrumadinha – como seus sonhos e metas. E ela já está consciente que seus objetivos realmente irão precisar da velha e boa companheira paciência e da sua, finalmente conquistada, atitude.
Quando eu era criança ouvia coisas na TV que muito me intrigava, mas que algumas vezes meus pais não podiam me explicar o verdadeiro significado. Uma vez assistindo um programa na TV ouvi a palavra “garoto de programa” e logo me veio a dúvida do que seria isso. Sem hesitar, fui perguntar para minha mãe. Quando ela ouviu minha pergunta percebi que arregalou discretamente os olhos e pensou por um instante. Então me respondeu:
- Garoto de programa é um rapaz que apresenta programas de TV.
No dia seguinte na escola, enquanto brincava com as minhas amigas, contei à elas o que tinha aprendido. Uma delas, que nas brincadeiras sempre imitava a Xuxa, queria muito ser apresentadora de TV e logo soltou:
- Ah, então vou ser garota de programa!
A manhã passou e as mães vieram pegar seus filhos. Indo embora com a minha mãe ouvi minha amiga fã da Xuxa exclamar para a sua mãe:
- Mamãe, quando crescer quero ser garota de programa!
Percebi que todas as mulheres ao redor olharam pasmas para a meninha e a mãe desta logo deu-lhe uma bronca e a fez prometer que iria tirar essa idéia da cabeça.
Só depois de alguns anos descobri porque a mulher não gostou nada da carreira que a filha supostamente queria seguir.
Ela nunca imaginou que isso fosse possível, mas quando viveu na pele soube que podia ser real. Nunca correspondeu os sentimentos dele, não porque não queria ou era orgulhosa, mas porque simplesmente não mandava em seu coração. Mas nunca pensou que não correspondendo, sofreria mais do que ele.
Depois de muito tempo ela decidiu, por ela mesma, dar uma chance para ele. Mas muitos outros motivos contribuíram pra sua decisão. Ele realmente gostava dela, era gentil, dedicado, rapaz de futuro e os pais dela aprovavam a todo custo. De primeira ela gostou de se sentir realmente querida por alguém porque ninguém demonstrara isso antes.
Mas o tempo foi passando e ela se deu conta que nunca iria poder corresponde-lo. Os beijos e os abraços eram forçados e sem prazer. Mas por que ela se submetia a isso? Porque se ela terminasse com ele iria magoa-lo mais uma vez... porque iria desapontar seus pais... porque talvez não fosse encontrar na vida outra pessoa que a fizesse sentir querida...
Por isso ela sofre mais do que ele. Porque ele não tem motivo para se arrepender caso a relação termine, mas ela tem vários.
Talvez ela tenha que seguir seu coração e deixar a razão de lado. No momento, para ser feliz, é estando com alguém, mas com ela mesma.
Só quando chegou ao carro ela gritou.
Era um grito sombrio, longo, de impotência, de raiva e de desgosto como se tivesse sido vomitado. Um grito falado da China antiga.
Então, de repente, o grito diminuíra, tornara-se o lamento discreto de uma amante, uma mulher. Foi no final, quando já era apenas doçura e esquecimento, que a estranheza voltara àquele grito, terrível, obsceno, impudico, ilegível, como a loucura, como uma loucura ilegível.
A criança não reconhecera mais nada. Nenhuma palavra. Nem a voz. Era um grito de chamada à morte, de quem, de quê, de que animal, não se podia saber muito bem, de um cachorro, sim, talvez, e ao mesmo tempo de um homem. Confundidos, ambos, na dor do amor.
.
[O Amante da China do Norte, Marguerite Duras]
O que é sucesso?
Rir sempre e muito.
Ganhar o respeito de pessoas inteligentes
e a afeição das crianças.
Ganhar a apreciação de críticos honestos
e suportar a traição dos falsos amigos.
Apreciar a beleza.
Encontrar o melhor nos outros.
Deixar o mundo um pouco melhor, seja com
uma criança saudável, um pequeno jardim
ou uma condição social redimida.
Saber que pelo menos uma vida respirou com
mais facilidade porque você viveu.
Isso é ter sucesso.
[Ralph Waldo Emerson]
Engraçado, ou nem tanto, mas todo ser humano carrega maus hábitos. Cigarro, álcool, preconceito, gula, pessimismo... Poucos, muitos, hilários, sinistros... E essa diversidade depende também da cultura de cada sociedade. Por exemplo: o brasileiro tem o mau hábito do comodismo, o americano do patriotismo em excesso, o palestino de se explodir em nome de Alá...
Como uma ser humana normal, eu tenho os meus maus hábitos. Raramente as frutas e as verduras entram em minhas refeições, que normalmente são compostas por “porcarias” ou até mesmo substituídas por doces. Não, eu não sinto remorso e nem o peso na balança, que nunca passou dos 48Kg... mas eu sei que estou colocando em risco minha futura saúde. Acho que já está na hora de mudar isso. Se eu quiser ser uma velhinha saudável e jovial, o primeiro passo está na alimentação adequada.
Outro mau hábito, que considero cômico, é o de coçar a sobrancelha. Sim, coisa mais ridícula e é ainda mais ridículo citar aqui. Mas muitos maus hábitos são tão banais como esse que nem percebemos que estamos cometendo. Só fui me dar conta quando estava prestes a perder minha sobrancelha...
Mas eu tenho um mau hábito detestável. É o campeão de todos: Deixar tudo pra depois. Digo detestável porque essa atitude (ou falta) já me trouxe prejuízos, como notas baixas por estudar na véspera e perder promoções por deixar pra última hora uma inscrição...
Se resolvi mudar? Ah, sim, é o que estou fazendo. Aos poucos tudo se resolve. Quando li a promoção “Tudo de Blog”, da Capricho, decidi na hora escrever meu texto e me inscrever. Essa promoção veio na hora certa, bem agora que estou começando meu blog, descobrindo que posso unir minha paixão por escrever com a vontade realizar uma experiência nova e me empenhando para acabar com o pior dos meus maus hábitos. Otimismo é o que não falta. Nunca mais vou deixar passar oportunidades na minha vida.
Tirei essa foto da varanda de minha casa, depois uma forte chuva num fim de tarde. Pena que em foto não fica muito nítido. Sempre achei o arco-íris uma obra fantástica da natureza e toda vez que aparece um eu fotografo. O intrigante é que sempre aparece no mesmo lugar.
Para saber: O arco íris bem desenvolvido apresenta dois arcos. O principal é o mais nítido, o qual você vê nessa foto, que é resultante dos raios de luz que passam por duas refrações e uma reflexão interna nas gotas de chuva. A cor vermelha fica na parte exterior, seguida de laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta. Forma-se também um outro arco mais acima do principal (se você forçar a vista nessa foto vai poder ver discretamente), chamado arco secundário. Além de duas refrações, resulta também de duas reflexões. Suas cores são invertidas das do arco principal.
Obs.: Os arco íris só podem ser vistos quando se está de frente para as gotas iluminadas e de costas para o Sol.
[se interessou? Meteoros, de René Descartes (1637)]
NEW LOOK! Gosto de roxo, mas estava me desanimando. Rosa é mais alegre! Tá parecendo blog de paty, mas da nada... Daqui a pouco eu mudo de novo. Odeio rotina mesmo...

Com certeza... o espaço é magnífico! Sou nova aqui no Vox... posso te adicionar? Dá uma passadinha no meu sempre... read more
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